Shadow Mode & IA na Segurança
Esta é uma das regras mais fortes da governança da Serigy: nunca usar IA para segurança a partir do zero. Primeiro observamos, construímos um baseline, e só então — com base nesse conhecimento — consideramos IA. E, quando a IA atua, ela nunca age sozinha sobre produção.
A ordem correta (e a errada)
Seção intitulada “A ordem correta (e a errada)”flowchart LR
subgraph errado["❌ Errado"]
E1["Instalar IA"] --> E2["IA analisa"] --> E3["IA bloqueia / deleta"]
end
subgraph certo["✅ Correto"]
C1["Instrumentar (eBPF + observabilidade)"] --> C2["Shadow Mode 15–30 dias"]
C2 --> C3["Baseline / base de conhecimento"]
C3 --> C4["Treinar IA com base no normal"]
C4 --> C5["IA detecta → alerta → aprovação → executa"]
end
Pular o baseline é o erro clássico. Sem saber o que é “normal”, qualquer IA gera falso-positivo demais (e bloqueia o legítimo) ou falso-negativo demais (e deixa passar). O baseline é o pré-requisito.
Fase 1 — Shadow Mode (observar, não bloquear)
Seção intitulada “Fase 1 — Shadow Mode (observar, não bloquear)”Por 15 a 30 dias, as ferramentas rodam em modo observação:
- Tetragon/eBPF emite eventos de syscalls, processos, rede e DNS — sem aplicar bloqueios.
- A observabilidade (OTel → Prometheus/Tempo/Grafana) registra métricas, traces e logs.
- O resultado é um baseline: o perfil do comportamento normal do cluster e das aplicações.
Programas de segurança já são feitos para esse modo. Sem esse baseline, não avance.
Fase 2 — IA orientada pelo baseline
Seção intitulada “Fase 2 — IA orientada pelo baseline”Com o baseline pronto, a IA passa a ser útil de verdade. Dois usos:
Detecção de anomalia
Seção intitulada “Detecção de anomalia”Variações bruscas contra o baseline são detectadas em segundos quando os gatilhos estão bem ajustados.
Exemplo: um endpoint que faz ~100 consultas/min salta para ~3000 consultas/min. Com pontos de gatilho bem feitos, a IA sinaliza isso em ~30 segundos.
Sinais compostos (ataques modernos)
Seção intitulada “Sinais compostos (ataques modernos)”Ataques atuais raramente são um único evento — são correlações. A IA é boa em cruzar sinais fracos que, juntos, viram um forte:
10 erros de CSP+20 logins com falha+pico de tráfego DNS+consulta anônima→ um padrão suspeito que nenhum sinal isolado revelaria.
Esses sinais vêm do BFF/CSP, do LLDAP (falhas de login), do eBPF/DNS e da observabilidade.
Fase 3 — IA como operador semi-autônomo (humano no loop)
Seção intitulada “Fase 3 — IA como operador semi-autônomo (humano no loop)”A IA pode operar o cluster, mas semi-autônoma. O antipadrão perigoso é “IA detecta → derruba ou deleta a instância”. O fluxo correto é:
flowchart LR
Det["IA detecta anomalia"] --> Alert["Cria alerta"]
Alert --> Wait["Aguarda decisão humana"]
Wait -->|aprovado| Exec["Executa a ação"]
Wait -->|negado| Stop["Não age / registra"]
| Antipadrão | Padrão da Serigy |
|---|---|
| Detecta → deleta/derruba sozinha | Detecta → alerta → aprovação → executa |
| Ação irreversível automática | Ação reversível, auditável, com humano no loop |
Isso é coerente com o princípio 8 e com o agente autônomo, que provisiona infraestrutura, mas não executa ações destrutivas de segurança por conta própria.